À espera de boas notícias: 5 dicas para concurseiros experientes ou de primeira viagem

À espera de boas notícias: 5 dicas para concurseiros experientes ou de primeira viagem

Todos gostamos de receber boas notícias, não? Nada como ler o jornal e achar nosso nome na lista dos aprovados! Ou, em um aeroporto, na área para devolução de bagagem, ver a nossa mala aparecer na esteira, dissipando qualquer ansiedade sobre eventual extravio.

Recentemente, em uma de minhas viagens, aterrissei no Aeroporto Internacional de Guarulhos. No saguão de recuperação das bagagens, em frente à mesma esteira onde eu aguardava minha mala, observei uma senhorinha de aspecto humilde, muito apreensiva, que me pareceu não estar acostumada a viajar.

Todos nós, que já estamos acostumados às peculiaridades dos voos, temos um dever moral de ajudar quem está começando. Isso vale para aviões de carreira e para concursos públicos. Nunca vi ninguém perder vaga em cargo público por ajudar quem está iniciando a jornada dos certames públicos.

A senhorinha segurava um carrinho e ali, na mesma esteira em que me encontrava, aguardava pela chegada de sua mala. Sua preocupação, claramente perceptível, impulsionou-me a chegar mais perto e perguntar se ela queria ajuda para colocar a mala no carrinho quando ela chegasse. Ela abriu um sorriso e disse: “Sim, obrigada! Mas não sei o que está acontecendo. Até agora não chegou nada!”.

Obviamente, para ajudá-la, indaguei qual o seu voo. Foi quando descobri que, na verdade, ela estava na esteira errada.

Então, indiquei para que lado era a esteira correta dentre as várias que Guarulhos ostenta e ensinei-a a consultar o painel com a relação de voos e suas respectivas esteiras. Disse que o motivo da demora era que a mala não iria para a esteira a sua frente, que já deveria estar rodando em alguma esteira perto dali!

Em seu olhar, uma centelha de alívio e esperança de não ter a bagagem extraviada. Ela agradeceu novamente e partiu rumo ao local certo, onde a boa notícia de a mala chegar e a própria mala aguardavam a simpática velhinha.

Fiquei pensando nos aeroportos pequenos onde às vezes desembarco, de esteira única, sem riscos maiores nem trabalho algum para achar a esteira certa. Alguns nem ar-condicionado possuem. Quanto maior o aeroporto, maior o trabalho, mas também o conforto.

E o que isso tudo tem a ver com você, colega? O que isso tem a ver com os concursos?

Para início de conversa, se você quer fazer concurso é porque escolheu um aeroporto grande. Logo, terá mais trabalho, e mais conforto! Mas tem que esperar chegar seu voo. Sim, passar em um concurso é uma tarefa quase desesperadora, mas é regiamente recompensada. Então, não desanime porque tem que estudar e se empenhar tanto.

A maior lição, porém, é outra. Nos estudos, nos concursos, no trabalho, enfim, na vida também podemos passar por situação análoga.

Não podemos ficar inertes, esperando que as coisas boas aconteçam (como sua mala chegar sem nenhum extravio) – é preciso agir. Eu sempre coloco identificadores eficientes nas malas, checo se a etiqueta da companhia aérea está correta... E vou para a esteira certa. Não adianta esperar em qualquer esteira, tem que ser a certa.

Se você quer ter a alegria de achar sua mala ou seu cargo, vai ter que se esforçar. Etiquetar a matéria do Edital na sua mente, escolher os professores, livros e cursos corretos, e ter o trabalho de pesquisar (não a esteira, mas) tudo o que é preciso.

Entenda que fazer o que tem de ser feito é o caminho para que coisas boas lhe sobrevenham. Ou para que, pelo menos, não aconteçam coisas ruins. A preguiça, a acomodação ou o medo de se lançar em novos desafios, literalmente, não levam a lugar algum. Eu sempre alerto que para um dia podermos fazer o que gostamos, temos que passar um bom tempo fazendo o que é preciso, mesmo que não gostemos.

Não basta esperar, espere depois de fazer o que tem de ser feito para estar na esteira correta.

Não tenha medo de buscar informação. Pergunte quantas vezes forem necessárias, mas não deixe a dúvida corroer sua paz. E busque orientação com quem realmente sabe mais do que você. Se possível, junte-se a essas pessoas e absorva o máximo de conhecimento que puder.

Você não está sozinho nessa! Se procurar, vai encontrar displays ensinando tudo o que precisa.

Procure estar no lugar certo. Tem muita gente que comete o mesmo erro que essa senhora: está esperando alguma bagagem, mas não toma os devidos cuidados para estar no lugar certo quando a bagagem chegar.

Praia e festa são maravilhosas, mas as malas com a aprovação nunca vão para essas esteiras. Lugar de concurseiro é no quarto, ou biblioteca, ou até no ônibus... estudando. O lugar certo é o curso, o livro, o site correto. Claro que existem os dias de descanso, falo disso em meus livros e cursos, onde a praia e a festa são bem-vindas, mas isso é a exceção. Uma boa rotina tem muito estudo e pouca diversão, pois recarregar as baterias é preciso.

O lugar certo ainda demanda um cuidado: não tenha a ilusão de que a esteira mais perto de você é a melhor. Às vezes a esteira correta está longe, vai dar muito mais trabalho, mas pelo menos sairá uma mala certa dali. Evite a preguiça de escolher a primeira esteira que aparecer pela frente. Pesquise antes de escolher.

Você pode ter várias aparentes opções, mas sempre existe uma opção “mais certa”, ou “a certa”. Não desista até encontrar a sua esteira. Às vezes você faz uma escolha e depois descobre que não era bem o que queria. Sem problema! Não se culpe nem desespere, apenas entenda que nos voos da vida nem sempre temos um display dizendo tudo o que precisamos saber. Às vezes essa sabedoria só é alcançada durante a jornada.

Nem sempre você saberá se está no curso, no concurso, no cargo ou até no relacionamento certo. Isso é parte do mistério que torna a vida uma aventura, descubra aos poucos, e, quando necessário, siga em frente.

Quando você não tem uma indicação certa e “erra” de esteira, pense que não é exatamente um “erro”, mas parte do processo. Um concurso em que não passa pode ser só uma esteira sem mala, mas se estudar mais pode ter uma esteira perfeita daqui a algum tempo, com a “sua” mala. Muita gente desiste, esmorece, achando que uma decisão equivocada ou uma reprovação a levam de volta à estaca zero. Não é verdade. Cada passo fora da linha pode ser parte da construção de um candidato e uma pessoa mais experiente, sábia e, portanto, fadada ao sucesso.

Seja qual for a situação, sempre haverá uma saída, sempre haverá uma nova oportunidade. Não desista, caminhe até ela!

Não basta apontar o caminho. É preciso ensinar como escolher o caminho certo. Eu poderia apenas ter apontado para qual esteira a senhorinha deveria ir para receber sua mala. Mas isso iria resolver a situação apenas naquele momento. Por isso, achei que deveria ensiná-la como “se virar” sozinha em outras ocasiões. Aqui cabe bem o provérbio chinês: “Dê o peixe ao faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar e você o estará alimentando pelo resto da vida”. Se um dia indicar o caminho a alguém, já estará fazendo algo maravilhoso. Mas, se puder, decida fazer algo ainda melhor: ensinar a pessoa a achar o que precisa nas próximas vezes também. 

Eu tirei um pouco do meu dia para anotar para você algumas dicas sobre sucesso em concursos usando esse incidente “bobo”, mas que era sério para a senhorinha. Sei que alguns leitores irão aproveitar as dicas e se aproximar do sucesso, alguns vão até me mandar mensagem comentando o texto e, sempre, Deus ao menos recompensará meus esforços. Então, fica a sugestão de um concurseiro com muitos voos já voados: sempre que puder, ajude o próximo, isso tornará esse grande avião, essa astronave chamada Terra, um lugar melhor para se viajar.

*William Douglas, juiz federal, professor e escritor