Com 70 crianças e jovens, Guarda Mirim abre mais 160 vagas na zona leste de Porto Velho

Com 70 crianças e jovens, Guarda Mirim abre mais 160 vagas na zona leste de Porto Velho

Porto Velho, RO - Vitória Lima de Souza, 13, estudante do ensino fundamental na Escola São Luiz no bairro JK 2, tem um sonho:“Até 2022, quando eu inteirar 18 anos, vou comandar a Guarda Mirim de Porto Velho”.

Ela faz parte do grupo de 70 crianças e adolescentes integrantes dessa corporação que ensina cidadania, civismo e religião, e abriu mais 160 vagas por edital, para preenchê-las ainda neste semestre.

Quem estuda de manhã, frequenta o projeto à tarde, e vice-versa. O primeiro turno vai de 8h ao meio-dia, e o segundo, das 14h às 18h.

Cursos profissionalizantes e recreação aos sábados, das 8h ao meio dia, conquistam os alunos vindos dos bairros Escola de Polícia, Flamboyant, Jardim Santana, JK, Mariana, Marcos Freire, Orgulho do Madeira, Ronaldo Aragão, Socialista, Tancredo Neves, Teixeirão e Ulysses Guimarães.

De que maneira você entrou na Guarda?

“Meu tio Joelson, pai do Janderson (primo) trabalha na sede do projeto (Escola Municipal do Ensino Infantil e Fundamental Pingo de Gente, no bairro Ulysses Guimarães) e avisou meu pai (Júlio Flávio), que me inscreveu com o comandante Gimas”, responde Vitória Lima de Souza, 13 anos.

Convocada para o curso, Vitória passou a conviver com um irmão e dois primos, igualmente matriculados.

VIDAS

Para o comandante da GM, soldado PM Diderson Gimas, a prevenção sempre dará mais resultado do que a punição e a ressocialização.

“Conseguimos tirar meninos de facções do tráfico de drogas, e graças a Deus eles melhoraram na escola”, ele conta. “Se preservar uma vida é bom, aqui já são cinco”.

Por causa da crise do Sistema Prisional Brasileiro, apesar do tempo e das diversas leis existentes, a pena privativa de liberdade no Brasil continua não alcançando os objetivos propostos.

Ele acredita que a GM possa também ser considerada de utilidade pública no município: “Basta que a Câmara assim reconheça”.

AVÓ INDICA SILMARA

“Minha avó Irandy viu a notícia num site e foi à escola para ver como funciona a GM, ela mesma me indicou” – conta Silmara Souza de Sales, 12, moradora no bairro Marcos Freire, estudante do 7º ano do Ensino Fundamental.

“No começo foi difícil, porque eu não estava acostumada a fazer flexões, e isso fez parte do teste, mas passei em todos, hoje sou cabo e quero ficar no projeto até os 18 anos”, se compromete.

Silmara é a primeira das três filhas do casal Márcio Pereira e Nilmara Ferreira – que ainda amamenta Camile, de quatro meses. O pai é borracheiro.

Pedro Lucas Antunes Naldi, 15 anos, nascido em Jaru, a 290 quilômetros de Porto Velho, é primeiro-tenente e cursa o primeiro ano de informática no Instituto Federal de Rondônia (Ifro). Filho único de um técnico agrícola e de uma acadêmica de arquitetura na Faculdade Uniron, também ouviu falar do projeto e foi conhecê-lo.

“O carro de som anunciou lá no Ulysses (bairro), dando o nome da escola, eu fui lá e fiz a prova teórica e o teste de aptidão física; passei em 6º lugar na teórica e em 12º na prova prática”, orgulha-se.

HORTA COMUNITÁRIA

Um médico, uma enfermeira, um psicólogo e uma merendeira atendem o projeto. “O mais difícil foi chegar à lei estadual (nº 2429/17), ela veio e agora caminhamos para frente”, diz o comandante Gimas, amazonense de Manicoré muito querido pelos meninos.

Um dos cursos do projeto ensina lições de manutenção de microcomputadores. Outros dão ênfase à hierarquia, disciplina e noções ambientais.

No dia a dia, os guardas mirins leem e interpretam também os estatutos da criança e do adolescente. Dedicam-se ainda à defesa pessoal e direitos básicos da cidadania. Com a boa vontade e a disciplina de todos eles, começará brevemente a primeira horta comunitária.

“FOI UM SONHO”

Janderson Pinheiro, 14, aluno do 9º ano da Escola São Luiz no bairro JK 2, fala mansa, resume suas conquistas ao alcançar o posto de 2º tenente:

“Primeiro, foi um sonho. Eu mudei meu comportamento em casa e melhorei bem, gosto muito da responsabilidade e do ambiente da Guarda”.

Janderson tem duas irmãs e mora com a mãe Rosimara, divorciada de Joel, vigilante. Ela faz e vende confeitos para festas.

Diversos batalhões da PM apoiaram o projeto que une cidadania, trabalho, e práticas militares, com envolvimento dos alunos aos preceitos éticos, primeiros socorros, cuidados ambientais e interação com a PM e a sociedade no combate à criminalidade em geral.

No ano passado, grupos de todo o estado participaram do 1° Encontro Estadual, em Ariquemes, a 200 quilômetros da Capital. Lá eles participaram da formatura militar, da apresentação de novas turmas e do ato de promoção dos alunos.

O desafio foi a corrida de 2,5 quilômetros pelas principais avenidas locais. Houve também banco de piscina e jogos de futebol. Eles também se divertiram, fizeram novas amizades e passearam na cidade.  A PM pretende renovar este ano o encontro em cidade a ser escolhida

ONDE FICA

Para ser guarda mirim, o aluno de escola municipal ou estadual tem que ter dez anos de idade e se apresentar com os pais ou responsáveis na Escola, neste endereço: Rua Oreon nº 2901, bairro Ulysses Guimarães. Telefone: 69 3214 3802.