Estão Subestimando Bolsonaro por Rubens Coutinho

Estão Subestimando Bolsonaro por Rubens Coutinho

Porto Velho, RO - A próxima eleição promete ser atípica. O leitor já deve ter ouvido esta frase pronunciada por algum dito especialista político sempre que uma nova eleição se aproxima. De tão usada, virou chavão.

Pois o pleito de outubro deste ano será incomum, sinônimo de atípico.

O deputado federal e ex-militar , ceteris paribus, será eleito presidente da República. Não com meu voto, é bom que se diga. Aliás, sei em quem não votarei de jeito nenhum. Lula e Bolsonaro estão entre eles. Mas isso é outra história.

Voltemos ao ex-militar. 

No sétimo mandato, o deputado federal saiu do anonimato graças às redes sociais, que ele e sua assessoria dominam, principalmente o Facebook, onde a massiva presença do parlamentar não tem como passar despercebida, chama  atenção até de seus críticos e começou a ser copiada pelos adversários, sem a mesma eficácia, é bom que se diga.

Quem usa Facebook não tem como escapar: Ali o homem é onipresente. E diferente de Lula, os posts de – e sobre – Bolsonaro recebem comentários majoriariamente positivos.

Parece haver um encanto do eleitor com o discurso do capitão. Um misto de nacionalismo tacanho e muita demagogia parece mesmerizar o eleitor.

Dois jornalistas de Rondônia tem opiniões diferentes sobre as possibilidades eleitorais do ex-militar.

Robson Oliveira, o colunista que assina a Resenha Política, acredita que se trata de um vôo de galinha, de um cavalo paraguaio.

Robson enxerga longe. Foi um dos poucos a prever – e acreditar – uma vitória do até então desconhecido tucano Hildon Chaves, que se elegeu prefeito de Porto Velho contra praticamente todas as expectativas.

No outro pólo está o jornalista e  ex-vereador Everaldo Fogaça.

Embora nãos seja nenhum cientista político, Fogaça tem uma análise aguda sobre o tema.

Ele acredita que, pela primeira vez desde que se inventou a internet, a eleição para presidente no Brasil poderá ser decidida nas redes sociais, espaço hoje dominado pelos bolsonaristas.

Deixando a opinião dos outros de lado e voltando ao passado, ressalte-se que o discurso de Bolsonaro lembra muito o de Collor quando foi candidato e derrotou Lula.

Na época, o homem que depois veio a confiscar a poupança dos brasileiros tinha o apoio da Globo, Veja, O Globo, Folha de São Paulo, enfim, da chamada grande mídia (sobre o assunto, ler o excelente Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti) . Naquele tempo não havia Facebook, Twiter nem whatsapp.

Hoje, a chamada grande imprensa ignora Bolsonaro, quando não lhe é francamente hostil.

Mas o capitão, contrariando tudo o que se diz sobre eleições presidenciais, poderá se eleger presidente da República sem os grandes partidos, sem os grandes veículos de imprensa  e sem o apoio dos caciques políticos regionais.

 Seu palanque é o Facebook; seu segredo, o discurso sob medida para os ouvidos de quem busca desesperadamente um salvador da pátria.

Faltando quase dez meses para as eleições, pelo menos em Rondônia o eleitor parece já ter se decidido por Bolsonaro.

Esta constatação é possível levando em conta um artigo recente do professor Nazareno, publicado aqui no Tudorondonia e replicado no Facebook. O post no Face teve cerca de 60 mil visualizações, centenas de curtidas e mais de mil comentários, quase 100 % xingando o articulista e o editor do site, quando não o próprio jornal.

Nenhuma pesquisa eleitoral, por mais científica que seja, é tão abrangente a ponto de reunir tantas pessoas dos mais diferentes extratos sociais, escolaridade, renda, religiosidade e regiões.

Toda essa massa de desesperados em busca de um salvado parece escapar às pesquisas e a análise dos grandes cientistas e articulistas políticos.

Estão subestimando Bolsonaro.

* Rubens Coutinho é editor do site de notícias, sediado em Rondônia WWW.TUDORONDONIA.COM