Estudantes de Porto Velho desenvolvem aplicativo para ajudar no diagnóstico do déficit de atenção

Estudantes de Porto Velho desenvolvem aplicativo para ajudar no diagnóstico do déficit de atenção

Porto Velho, RO - As maneiras para diagnosticar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) poderão ganhar uma ajuda importante. É que um aplicativo que promete servir como indicador para o diagnóstico do transtorno acabou de ser desenvolvido por dois estudantes do ensino médio da rede pública de Porto Velho. O TDAHMente já está disponível para download em aparelhos com sistema Android. O teste também pode ser feito online.

O aplicativo começou a ser desenvolvido em fevereiro de 2018 pelos estudantes Aldo Lery e Robert Willian, na época ambos estudavam no Instituto de Educação Estadual Carmela Dutra, em Porto Velho. Eles contaram com a ajuda do professor especialista em novas tecnologias Cleiton Araújo. O grupo já ganhou a Feira de Rondônia de Científica de Inovação e Tecnologia (Feirocit) de 2017 com o projeto Aluno Digital.

“Queríamos desenvolver para esse ano um aplicativo na área da saúde. Como um de nossos colegas era muito hiperativo, brincávamos afirmando que criaríamos um aplicativo para estudar a hiperatividade dele. A ideia passou a ser séria e começamos a desenvolver um aplicativo, a partir de pesquisas e estudos, que servisse como indicador para o diagnóstico de TDAH”, comenta o estudante Aldo.

Os alunos estudavam no Instituto de Ensino Carmela Dutra, em Porto Velho, quando desenvolveram o aplicativo (Foto: Pedro Bentes G1 )

O professor que coordena o grupo afirma que a construção do aplicativo seguiu todos os trâmites legais. Segundo ele a criação se deu através de um manual de diagnóstico de doenças de transtorno mentais para TDAH. Os estudantes e o professor transformaram o formulário de um médico da Associação Americana de Psiquiatria no aplicativo.

No entanto, o grupo lembra que o diagnóstico de TDAH só pode ser dado por meio de um laudo médico.

“O aplicativo serve como um indicador para diagnóstico de TDAH. Se a partir do resultado o usuário detectar que possui o transtorno, vamos indicar que ele procure um médico ou ajuda psicológica”, diz Cleiton Araújo.

Para a neuropsicóloga Gessiane Rodrigues, apesar do TDAH ser um transtorno crônico sem cura, ele conta com tratamento. Ela ressalta, ainda, a importância de diagnosticar o transtorno o mais cedo possível.

“Os sintomas costumam surgir na infância e permanecem durante a adolescência. Na fase adulta, em 50% dos casos os sintomas vão diminuindo. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor será o resultado do tratamento. Uma criança que possui o TDAH e não está sendo tratada, além do prejuízo psicológico, também terá um prejuízo social, influenciando várias áreas da vida dela”, pontua a neuropsicóloga.

Com o feito, o grupo já planeja disputar a Ferocit de 2018, prevista para acontecer em agosto deste ano.

“O Robert, um dos criadores, mudou de escola e eu, por estar no terceiro ano do ensino médio, não poderei representar o aplicativo na Feirocit desse ano. Mas contamos com um novo membro, o Ruan Azzi, do primeiro ano do ensino médio, que vai representar o grupo”, afirma o estudante Aldo.

Estudante Ruan Azzi e o professor Cleiton Araújo se preparam para concorrer na Feirocit 2018 (Foto: Pedro Bentes G1 )

No entanto, o grupo já planeja voos mais altos e sonha em concorrer como o aplicativo TDHAMente na Mostratech 2018, uma feira internacional de ciência e tecnologia que vai ocorrer em Nova Hamburgo (RS) em outubro desse ano.

O aplicativo ainda está em fase de teste, mas já pode ser baixado em aparelhos com o sistema Android.

O professor e coordenador do grupo espera que o aplicativo permita o tratamento do TDHA o mais rápido possível e, assim, diminuir os impactos ao longo da vida escolar.

“A falta de diagnóstico do TDHA leva a muitos problemas encontrados no meio escolar, como a violência, o bullying e dificuldade de aprendizagem”, finaliza Cleiton Araújo.