‘’Metade de mim é o que eu grito’’

O medo não me assusta 
Mais me faz perturbar
“Que a força do medo que eu tenho”
Jamais irá me impedir de falar
“Não me impeça de ver o que anseio”
O mundo vai se transformar.

“Que a morte de tudo que acredito”
Não me pare de acreditar 
“Não me tape os ouvidos e a boca”
Na hora de espernear
Contra o egoísmo humano 
Na hora de lhe repudiar. 

“Porque metade de mim é o que eu grito”
Fazendo rebelião 
“Mas a outra metade é silêncio”
Procurando resposta para a escuridão
Entre a calmaria e o grito do povão
Eu fico com a revolução.

“Que a música que eu ouço ao longe”
Que seja sempre de boa lembrança
“Seja linda, ainda que triste”
Mesmo no final de dança
A vida sempre vale apena 
Quando não se perde a esperança.

“Que a mulher que eu amo”
Seja sempre singela 
“Seja sempre amada”
Nunca num conto de cinderela
“Mesmo que distante”
O meu coração é louco por ela.

“Porque metade de mim é partida”
Na longa estrada da vida
“Mas a outra metade é saudade”
No peito a paixão recolhida
Momentos menos importantes 
No espaço de uma grande avenida.

“Que as palavras que eu falo”
Que impostas jamais sejam repetidas
“Apenas respeitadas”
Que sejam refletidas 
“Como a única coisa que me resta”
Que sejam compreendidas.

“Por que metade de mim é o que eu ouço”
Mentirosos, hipócritas e canalha
“Mas a outra metade é o que calo”
Diante de meu pescoço uma navalha 
Saindo dessa aflição 
É rebeldia que no mundo se espalha.

“Que essa vontade de ir embora”
Seja passageira 
“Se transforma na calma e na paz”
Que seja uma vontade ligeira
“E que essa tensão”
Seja derradeira.

“Que o medo da solidão afaste”
Que ele me der um tempo
“E que o convívio comigo mesmo”
Não se torne um tormento
“Se torne ao menos suportável”
Nesse processo de passatempo.

“Que o espelho reflita em meu rosto”
Sempre uma grande alegria 
“Um doce sorriso”
Sempre cheio de fantasia 
“Que me lembro ter dado na infância”
Na canção da Ave Maria.

“Porque metade de mim”
Ás vezes erra 
“É abrigo, mas outra metade é descanso”
Mas a vitória se conquista com a arte da guerra
“É que ninguém tente complicar”
Uma sociedade justa na face da terra.

“Que não seja preciso”
Ler suas críticas imbecil
“Mas de uma simples alegria”
Fazer poesia de forma sutil
Contribuir pra mudança
Desse grande Brasil.

“Que minha loucura seja perdoada”
Por tudo que escrevi
“Porque tudo é simplicidade”
No mundo em que vivi
Continuo a escrever
Loucura saudável eu decidi.

O mundo é mais fraterno
Pra quem sabe amar 
A poesia liberta o homem 
Além do alem mar
O mundo é sempre mais bonito
Com a arte de Ferreira Gullar.

Francisco Batista Pantera é Professor, Jornalista, Poeta e Presidente Estadual do PCdoB/RO.

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