Ministério da Saúde reforça vacinação em comunidades do AM após mortes por raiva humana

Ministério da Saúde reforça vacinação em comunidades do AM após mortes por raiva humana

Barcelos/AM- Cerca de 700 moradores das nove comunidades da Reserva Extrativista do Rio Unini, em Barcelos, no Amazonas, devem ser imunizados com vacina antirrábica humana nos próximos dias.

A medida foi autorizada pelo Ministério da Saúde em resposta à solicitação da Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas.

Dois irmãos morreram no Amazonas após contrair raiva humana por mordida de morcegos. Um adolescente de 17 anos morreu no dia 16 de novembro e a irmã dele, de 10 anos, no último sábado (2). Outro irmão, de 14 anos, está internado, em coma induzido, na Fundação de Medicina Tropical, em Manaus. A equipe médica aguarda confirmação de exame laboratorial, mas já trata o adolescente com protocolo para raiva humana

A Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas enviou hoje (5) mais 600 doses da vacina antirrábica humana para a Secretaria de Saúde de Barcelos, totalizando 3,1 mil doses desde o início do surto na comunidade. Segundo levantamento do órgão municipal, aproximadamente 270 pessoas informaram que foram atacadas por morcegos nos últimos 12 meses. Estas pessoas já tomaram três doses da vacina e devem receber a última dose até o dia 13 de dezembro.

Para os moradores que não foram mordidos por morcegos, será aplicada uma vacina de pré-exposição. A intenção é garantir 100% de cobertura. Além da imunização dos moradores da região, estão sendo reforçadas as ações de vacinação de animais domésticos, inclusive nas comunidades onde não há casos de agressão por morcegos.

As equipes de saúde enfrentam dificuldades de acesso às comunidades da Reserva Extrativista do Rio Unini. A região só é acessível por meio de barcos, que no período de seca precisam transpor corredeiras e bancos de areia em trajetos de quase 12 horas. As ações têm o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O Amazonas não registrava caso de raiva humana desde 2002, quando foram notificadas duas mortes. A doença é considerada rara, mas, em 2004 e 2005, 44 pessoas morreram infectadas em cidades na divisa entre o Pará e o Maranhão.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (4), o Ministério da Saúde informa que, de janeiro a novembro deste ano, enviou ao Amazonas quase 25 mil doses de vacina antirrábica humana e 490 mil doses de vacina antirrábica canina. Nos últimos 10 dias, foram enviados 700 frascos de soro antirrábico humano em caráter suplementar.

O diretor da Fundação de Vigilância em Saúde, Bernardino Albuquerque, disse que duas equipes de apoio foram enviadas à Reserva Extrativista do Rio Unini. A força-tarefa conta com profissionais e técnicos municipais, estaduais e federais. Ele informou que tem sido feito um trabalho de captura de morcegos nessa área, com o devido tratamento para eliminar a colônia.

"Outra parte importante é tentar esclarecer o por quê da invasão de morcegos nessas áreas", acrescentou Albuquerque

Entre as possíveis causas do aumento do número de morcegos nas áreas de moradia da reserva estão a seca prolongada, as queimadas, o desmatamento e a morte de animais silvestres que serviam de alimento para os morcegos. Após a mordida, a raiva humana pode se desenvolver entre uma semana e nove meses.

Os principais sintomas são déficit motor, com dormência ou formigamento de membros e mudança de comportamento. Qualquer mordida de morcego deve ser investigada, e a vítima levada imediatamente para uma unidade de saúde.