Nova Mamoré ultrapassa Jaru e lidera o ranking de produção leiteira em RO

Nova Mamoré ultrapassa Jaru e lidera o ranking de produção leiteira em RO

A cidade de Nova Mamoré (RO), situada a aproximadamente 300 quilômetros de Porto Velho, alcançou um novo patamar e se tornou a maior potência do estado no ramo da produção leiteira e na quantidade de rebanho leiteiro, superando Jaru (RO), que liderou o setor na última década, conforme aponta os dados da Agência de Defesa Sanitária Agrossilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron).

Até o último trimestre de 2017, Nova Mamoré era o segundo maior produtor, mas o 43º relatório de vacinação bovina feito pelo Idaron mostra que o município atualmente tem 1.538 propriedades rurais que trabalham no ramo do leite e produz diariamente aproximadamente 125 mil litros.

Conforme o relatório, as 10 cidades do estado com a maior produção de leite são Nova Mamoré, Jaru, Ouro Preto do Oeste, Governador Jorge Teixeira, Machadinho D'Oeste, Urupá, Ji-Paraná, Porto Velho, Campo Novo de Rondônia e Buritis.

Segundo o veterinário do Idaron, Raimundo Félix, do ano de 1999 até 2017 houve um crescimento gigantesco na quantidade do rebanho bovino da cidade, que inicialmente tinha pouco mais de 46 mil cabeças e atualmente tem cerca de 700 mil, sendo que mais de 180 mil são de rebanho leiteiro, o maior do estado.

Houve um crescimento gigantesco na quantidade do rebanho bovino da cidade (Foto: Emater-RO/Divulgação)

“O perfil social que o Idaron faz em Nova Mamoré revela que em média cada propriedade tem 175 bovinos. A cidade cresceu neste ramo gradativamente, desde a década de 90 já tinha o potencial e hoje de fato é a maior produtora de leite de Rondônia”, diz o servidor.

Um dos produtores que já esperava que a cidade assumisse a liderança do setor pecuário é Jaime Montes, de 56 anos, que trabalhou a vida inteira na produção leiteira, assim como o restante da família. Para ele este é o reconhecimento pelo trabalho realizado há décadas, mas que ainda tem expectativa de aumentar a produtividade ainda mais.

“Nós que vivemos do leite vimos que Nova Mamoré vinha ganhando espaço e produzindo mais e mais. Ainda pode crescer, não é o limite. Hoje todos os produtores estão investindo e aprimorando o negócio”, diz o produtor.

De acordo com a Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO), o preço do litro de leite produzido custa em média R$ 0,85 no mercado, o que movimenta a economia e gera empregos formais e informais na região, sendo que pouco mais de 800 famílias de pequenos produtores vivem exclusivamente do ramo.

Ainda segundo a Emater, um dos fatores predominantes para a evolução da produção e também no que diz respeito à estrutura para aumentar o rebanho foi o investimento feito pelos produtores rurais, que passaram a utilizar a técnica do uso da tecnologia de melhoramento genético dos bovinos.

Preço do litro de leite produzido custa em média R$ 0,85 no mercado, o que movimenta a economia e gera empregos na região (Foto: Emater-RO/Divulgação)

Nos últimos cinco anos, os produtores da região investiram e compraram a ideia da inseminação artificial, além de um controle mais rigoroso da qualidade do leite produzido. O melhoramento genético consiste no cruzamento de embriões escolhidos, que acabam gerando um novo rebanho de alto rendimento.

O gerante da Emater de Nova Mamoré, Edinaldo França, explica que o órgão faz não só o acompanhamento da produção do leite, mas realiza periodicamente testes rigorosos em relação a qualidade deste produto.

“A qualidade vem sendo abordada em relação aos padrões necessários e condições de higiene na ordenha e armazenamento, levando em consideração que o leite compõe a cesta básica no Brasil. Além de muito trabalho, podemos afirmar que essa qualidade é alta devido a boa alimentação e genética do rebanho produtor”, analisou Edinaldo.

Poder Público

Em entrevista ao G1, o Prefeito Claudionor Leme (PDT) falou sobre a importância do ranking atual, que para ele significa um salto muito grande para o município, além de abrir novas possibilidades de exportação e ampliar o mercado tanto da produção leiteira quanto do gado de corte.

Os dados internos da prefeitura apontam que atualmente existem cerca de 1,4 mil propriedades produzindo leite e que a cultura é predominante na região, junto a com produção de rebanho de corte, que também movimenta a economia local e gera empregos formais e informais.

“O crescimento já era esperado, não foi algo que aconteceu da noite para o dia. Nos últimos anos houve um aumento nas áreas de pastagem e os produtores investiram em genética e na qualidade dos rebanhos, o que consequentemente aumentou a produtividade diária. O poder público concentrou esforços neste sentido, para apoiar o crescimento junto a Emater e outros órgãos, inclusive facilitando o processo burocrático para o recebimento de recursos das empresas de fomenta, mas também temos elaborado projetos voltados a este setor, além das medidas para atrair novos investidores”, declarou Claudionor.