Polícia Militar tenta interromper carnaval na capital

A comunidade do bloco Canto da Coruja tem essência tradicional e familiar e por falta de recursos e excesso de burocracia, fez apenas um ‘concentra, mas não sai”. 

Ou seja, os foliões se reuniram em frente à casa do fundador do bloco pra ouvir marchinhas com Banda e estrutura fornecida pela prefeitura.  

E numa paz de procissão de São Francisco. 

Alguns metros adiante, na mesma rua, o Bloco Us Dy Phora concentrou seus milhares de foliões. 

A diferença é que o Us Dy Phora tinha autorização e, portanto, obstruiu regularmente a rua. 

O Canto da Coruja não o fez, porque não tem lógica alguma pedir pra obstruir uma via já obstruída com autorização. 

Houve protestos quando a polícia mandou parar o som e a folia segura do Canto da Coruja e depois de muita conversa e autorização de superior, liberaram a festa. 

Quero dizer que lamento profundamente que a gestão do carnaval de rua de Porto Velho seja feita pela PM. 

A polícia deve intervir quando houver ameaça à ordem pública, o que definitivamente não era o caso. 

Alegam que atuam preventivamente. 

A meu ver, reprimem preventivamente uma manifestação popular pacífica. 

Não atuam assim o ano inteiro, presumindo desordem e impedindo a violência em bairros que concentram a maioria das ocorrências. 

Não. É só no carnaval que vemos esse policiamento ‘preventivo’ sem a baliza do bom senso. 

Não dá pra aceitar que a PM diga onde, quando e como se pode fazer folia de carnaval, sem nenhuma ameaça à ordem pública. 

Se eu quiser chamar os vizinhos agora pra dançar ao som de um mini-trio na minha rua, não posso. Preciso de alvará. 

O trabalho de polícia é importantíssimo e foi com respeito que questionei a truculência com o bloco familiar. 

Mas, não aceito que a polícia haja com autoritarismo, sem provocação, por mera presunção de desordem. E sem nenhum indicativo de violência. 

A Funcultural que tem o poder de regulamentar a folia, argumentou bravamente pra impor o bom senso. A lei que diz como devem ocorrer Grandes Eventos precisa ser ‘consertada’, pra que o município tenha de fato o poder que tem por direito pra gerir a cultura popular. 

É muito triste ver a população sentir raiva  da PM sem necessidade.