Prefeito de Rio Branco e primeira dama são conduzidos coercitivamente em operação da PF

Prefeito de Rio Branco e primeira dama são conduzidos coercitivamente em operação da PF

O prefeito de Rio Branco e ex-diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre), Marcus Alexandre (PT-AC), a primeira-dama da capital, Gicélia Viana, estão entre as 14 pessoas conduzidas coercitivamente (quando alguém é levado para depor) em Rio Branco, pela Operação Buracos, deflagrada pela Polícia Federal, na manhã desta segunda-feira (30). A ação conjunta investiga o desvio de R$700 milhões em recursos públicosA PF não confirmou, mas a informação foi confirmada pela equipe da Rede Amazônica Acre e pelo governador, que se posicionou por nota.

A assessoria da prefeitura disse que só ia se posicionar após a coletiva. O governo do Acre soltou uma nota e disse que "compreende a importância e a necessidade das instâncias que guardam a função constitucional de polícia, controle, fiscalização e justiça para dirimir dúvidas, esclarecer, investigar, formar juízo e punir quem quer que tenha cometido infração".

“À nossa comunidade e a todas as famílias acreanas, quero expressar minha integral solidariedade a Marcus Alexandre, Gicélia, Ocírodo Júnior, Fernando Moutinho, Edson Alexandre e Joselito Nóbrega. Conheço-os há muitos anos e deles tão somente confirmo vidas honradas, simples e de muita dignidade, tanto pessoal quanto na função pública.

A nota diz ainda que é doloroso quando pessoas honestas, trabalhadoras e dispostas à colaboração com as autoridades passem por constrangimentos desnecessários.

“Quanto aos trabalhos realizados na BR-364 no trecho Rio Branco - Cruzeiro do Sul, somente a História, não a política, poderá reconhecer, no devido tempo, a grandeza ética e o tamanho do esforço profissional e até pessoal que esses servidores aos quais me refiro fizeram pela integração do Estado e união do povo acreano.

Em coletiva, a PF informou que até o momento foram apreendidos R$ 15 mil e um revólver calibre 38 na casa de um dos conduzidos. Ainda na coletiva, a Receita Federal falou que foi identificada uma transferêndia de R$ 10 milhões entre duas pessoas. As investigações duraram ao menos um ano e o inquérito é do final de 2013. Os investigados vão responder por corrupção ativa e passiva, peculato e organização criminosa.

O delegado da PF Jacob Melo falou que a PF é um órgão de investigação e que não tem envolvimento com política. “O que nós temos interesse é investigar os fatos reais. Não olhamos a pessoa a quem estamos investigando, a gente pode investigar do mendigo ao presidente da república, a gente realmente só quer pegar os atos ilícitos que cada pessoa fez para tentar defender a sociedade”, explicou.

Melo falou ainda que a PF tem uma quantidade muito grande de documentos para analisar. “Vão ser analisados em conjunto com os depoimentos que estão sendo colhidos. Também podemos fazer outros depoimentos no futuro com outras pessoas. Em todos os mandados foram apreendidos dinheiro em espécie, em valores altos, armas e colete balístico”, acrescentou.

O superintendente da Controladoria Geral da União, Ciro Oliveira, falou que o órgão fez duas fiscalizações, em 2010 e 2012, durante a operação e detectou prejuízos nos valores de R$ 17 milhões.

“Essas fiscalizações detectaram um prejuízo total de R$ 17 milhões, decorrentes de execução incorreta da capa asfáltica. Tinha uma capa asfáltica de apenas 3 centímetros e no projeto era de 5 centímetros. Também foi detectado um prejuízo decorrente do pagamento por serviço não prestado, serviços de escavação e transporte de material”, detalhou.

A secretária-adjunta da Receita Federal do Acre, Maria Helene, explicou que as investigações apontaram irregularidades de transferência com valores altíssimos entre os investigados. Além disso, os investigados compravam patrimônios e colocavam em nome de parentes.

“Nosso trabalho até aqui consistiu em analisar movimentações financeiras e variação patrimonial, especialmente de pessoas físicas, que fortaleceram alguns indícios contra os investigados. Verificamos tanto a movimentação financeira como a variação patrimonial. A variação patrimonial temos indícios que estejam adquirindo patrimônios e colocando no nome de parentes", confirmou.

A operação investiga irregularidades que envolvem servidores do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Rondônia, além de empresários e um desvio de R$ 700 milhões em recursos públicos.

A ação ocorreu em conjunto com o Ministério Público Federal, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União e Receita Federal. Foram cumpridos ao todo 23 mandados de condução coercitiva e 26 de busca, em Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Pimenta Bueno (RO), Ji-Paraná (RO), Cuiabá (MT) e Araraquara (SP).