Republiqueta de Rondônia em frangalhos por Juvenil Coelho

Republiqueta de Rondônia em frangalhos por Juvenil Coelho

Porto Velho, RO - Para melhor entendermos a gritante parafernália, verdadeira prosopopéia que acaba de se instalar na sede da Assembléia Legislativa, envolvendo deputados, Governo e vice-governança, bem como figurões e cabeças do alto escalão da política local, não basta tão somente o exercício de manobras ou afinada inteligência.

Faz-se por necessário antes de tudo, que se estabeleça a origem de todo o imbróglio, e o porquê do sinistro plano.

Daí termos que recorrer aos meandros da história secular, ou mesmo da sabedoria dos mestres, para um melhor entendimento. Como dizia costumeiramente o grande estadista inglês Winston Churchill, o maior dentre os estrategistas dos aliados na Segunda Guerra mundial, “jamais vamos chegar aos fins se não tivermos plena consciência das origens”.

Assim sendo, haveremos de deixar de lado as picuinhas, os conchavos, ou mesmo o jogo de interesses das partes envolvidas, e assim haveremos de nos deter diretamente aos fatos. Tudo começou em Ariquemes, em reunião fechada entre os caciques e líderes do então PMDB (hoje MDB), encabeçando um projeto político, que, infelizmente, já estava à deriva.

Desse encontro resultou a decisão forjada do governador Confúcio de abraçar uma candidatura própria do partido (Maurão de Carvalho). A crise só veio explodir agora, quando o atual governador descobriu que não tinha como apoiar uma candidatura natimorta do colega de partido. Tanto que ninguém se convenceu da decisão final, nem mesmo a imprensa ou os especialistas de plantão.

Assim  não havia segredo, nem causou espanto que uma bomba relógio adormecia prestes a explodir, ancorada ao moribundo projeto. As próprias lideranças de ponta, do partido em ruínas, rechaçaram a idéia em torno da obediência da fidelidade partidária, tanto que muitos caíram fora e outros farejam pela saída elegante da janela, a pularem fora da barca furada. Só os xiitas peemedebistas não perceberam ainda a fragilidade no descrédito da sigla, provocados pelo distúrbio ocorrido.

Se duvidar, hoje o MDB é um PT piorado, arruinado pela hipocrisia de seu líder maior, Michel Temer, o que irá repercutir negativamente na representatividade política da sigla, inclusive nas Casas de Leis do País inteiro, extensivo as eleições de outubro próximo..  Aqui em Rondônia, depois dessa derrocada, dificilmente a sigla alcançará mais de duas cadeiras no Parlamento estadual, nas próximas eleições.

A pergunta curiosa que fica é: Qual será o discurso dos seus deputados,  sim os peemedebistas: Lebrão, Edson Martins, Só na Bença, Jean Oliveira e Maurão, aos seus prováveis eleitores, visto que todos eles estão ligados a segmentos evangélicos, pautados na disciplina e na moral.

O que dizer também sobre os vereadores da capital como Joelna Holder, Marcelo Cruz, Zequinha Araújo, (pretensos pré-candidatos a deputado estadual), e que também são do segmento protestante?.

Não seria tudo isto duvidar da inteligência do eleitor?

Responsabilizar a alguns deputados o ônus de toda essa ´cachorrada´ não é prudente, muito menos justo.

Assim não passaria de especulações, como se as causas não justificassem meios e fins. Dessa forma, as supostas causas ´das pontes´, ´prédio novo da Assembléia, ´anel viário de Ji-Paraná´, e outras especulações, não podem ser analisadas isoladamente, escondendo as proezas do líder do Governo que se traduzem em enxertos robustos, que haverão de dar corpo ao tumultuado processo. Cada peça do quebra-cabeça não pode ser levada em conta separadamente.

Todas elas são determinantes na essência da questão. Desvendar os mistérios dessa enrascada política, ou mesmo antever os resultados finais, torna-se missão quase impossível para qualquer estudioso do assunto. Porém, uma coisa é certa: o estrago já está feito.

Seja lá qual for o rumo que o governador tomar daqui por diante, eles os envolvidos poderão tornar o Estado ingovernável, já que será chamuscado por abelhas vorazes da oposição já que estamos adentrando a mais uma campanha eleitoral ferrenha. Assim, feliz será Confúcio se continuar a ter maioria parlamentar na Casa de Leis.

Caso contrário, parafraseando o personagem Coxinha, “a tesoura vai comer”, e o mandatário Confúcio poderá esta colocando em risco, ate mesmo seu brilhante segundo mandato que ainda era a sustentação do partido em termos de probidade administrativa e desempenho. De agora em diante, será um salve-se quem puder, até porque o desgaste é de toda a classe política.

Mesmo com Confúcio fora do pleito,o que muitos ainda duvidam, o feitiço poderá  cair, ou melhor tende a cair na cabeça dos feiticeiros. Assim felizes aqueles políticos que tiverem fora dessa celeuma. Na nossa insignificante posição, de escriba de meia pataca diríamos: honrados serão aqueles que puderem fugir das lambanças, porque o bicho vai pegar, longe e  bem distante dessa moagem indecente e avassaladora.

Ouvindo-se o linguajar dos ´papagaios de pirata´ e falastrões, chega-se à conclusão que aquele pseudo-projeto era mesmo ambicioso, pois além de querer contemplar a vitória a dois senadores do partido e também ao futuro governador, ainda contemplaria uma extensa lista de deputados estaduais e federais.  

E o que esta na boca do povo e nas redes sociais. Além disso, segundo o mentor intelectual da façanha se alijaria do poder alguns dos bens-sucedidos políticos, como é o caso do prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires, que seria exprimido ou mesmo achatado na disputa ao senado.

Diante de toda esta tormenta, chegam-se à conclusão de que tudo não passa de uma guerra de vencidos, com a derrota política de boa parte dos envolvidos. O que nos vem na lembrança, uma das celebres retóricas de Machado de Assim, em seu memorável romance “Quincas Borba”, parafraseando-se a guerra das batatas.

Desta forma aqui em Rondônia poderia ficar escrito como a batalha das pipocas, já que muitos pipoqueiros estão no barco. Em suma, que fique como retrato de mais uma odisséia repugnante e inescrupulosa e que sirva de lição aos eleitores em futuros pleitos.

O autor é jornalista e diretor do instituto Phoenix