“TAÍ, LÂNDIA!” - Por Geraldo Paulo do Carmo

“TAÍ, LÂNDIA!” - Por Geraldo Paulo do Carmo

O mundo inteiro acompanhou o resgate dos 12 jovens e de seu treinador, na caverna “Tham Luang” (nome completo: Tham Luang Khun Nam Nang Non - "a grande caverna e fonte de água da mulher adormecida da montanha") na Tailândia.

O resgate dos “Javalis Selvagens” (como os jovens eram conhecidos em seu time de futebol) não foi apenas mais um na história. Serviu como um exemplo mundial a ser seguido. Um exemplo de fé, espiritualidade (e não estamos aqui falando de religião), de cooperação, dinamismo, comprometimento e dedicação.

Talvez se o incidente tivesse ocorrido aqui no Brasil, arriscaríamos até prever algumas prováveis e inusitadas “falas”:

“-Irresponsabilidade do treinador! Merece ser linchado!” (diriam uns); 

“-Não vai dar certo! O lugar onde estão é quase inacessível” (diriam outros); 

“-Bem feito! Quem mandou procurarem encrenca!” (diriam mais alguns);  

“-Não adiantar nem tentar o resgate! Vai ficar muito caro!” (arriscariam outros mais);

“-Humpf! Duvido que alguém vai ter coragem de tirar esses moleques daquele buraco! Nem Deus vai perdoá-los!” (talvez seria a fala de outros infelizes).

Temos (quase) sempre na língua o tom de acusadores, condenadores e juízes!... E dificilmente nos colocamos no lugar daquele que está vivendo a dificuldade!

Mas o que vimos na Tailândia, não foi nada disso!

Começando pelo treinador Ekapol Chantawong, ex-monge budista, que utilizando todos os seus conhecimentos de meditação, conseguiu manter a calma entre os meninos, além de ter ficado em jejum (para proporcionar alimento aos garotos) e ensinado a eles como respirar de forma a consumir menos oxigênio. Posteriormente demonstrou extrema humildade ao escrever uma carta aos pais, pedindo desculpas pelo ocorrido e informando que ele faria tudo o que fosse possível para preservar a vida dos jovens. Em vez de reclamações, recebeu como resposta apenas amor. "Treinador Ake, eu realmente lhe agradeço por cuidar de todas as crianças e mantê-las em segurança", escreveu um parente de um menino.

Enquanto autoridades convocaram a unidade de elite da Marinha tailandesa, a polícia nacional e outras equipes de resgate, voluntários locais também se apresentaram.

Colegas dos Javalis Selvagens faziam orações coletivas, cantavam músicas motivacionais na entrada da caverna, dobravam origamis e escreviam mensagens de esperança em quadros de avisos nas escolas.  Moradores se uniram ao grupo, doando dinheiro e comida aos parentes dos meninos e seu técnico.

Os primeiros estrangeiros a se somar às operações de resgate chegaram em 28 de junho. Eram especialistas da Aeronáutica americana e mergulhadores de cavernas do Reino Unido, Bélgica, Austrália, países escandinavos e muitos outros.

Para evitar novas inundações, foi feito o bombeamento constante de água para fora da montanha, e, por isso, pontos antes totalmente inundados podem ser feitos caminhando, afirmou o governador Narongsak Osatanakorn.

  Embora todos tenham sido resgatados, houve a perda de Saman Kunan, um navegador aposentado da Marinha tailandesa e que trabalhava como voluntário no resgate, que morreu quando tentava estabelecer uma linha fornecimento de oxigênio na caverna em que estavam presos. “Todos choraram e expressaram seus pêsames escrevendo mensagens em um desenho do capitão de corveta Saman e observaram um minuto de silêncio por ele", afirmou o secretário permanente do Ministério da Saúde, Jedsada Chokdamrongsuk, em um comunicado.

Mas embora este fato triste tenha ocorrido, muito temos que aprender com este episódio.

Tailândia.

“Taí Lândia!” Está aí a “Terra” que precisamos! Uma Terra de Fé Inabalável, de solidariedade, de soma de esforços!

Uma Terra onde vemos a complementaridade entre a espiritualidade sutil da Fé com a soma dos esforços humanos e materiais.

Pensemos neste episódio não como uma tragédia. Mas, talvez, como uma oportunidade única de aprendermos a mudar nossos paradigmas e, ao invés de julgarmos (sem o devido conhecimento de causa) nos unamos TODOS nas equipes de “voluntários” que poderão mudar o cenário de nosso planeta, transformando-o em um mundo novo, melhor para se viver!

Geraldo Paulo do Carmo

É engenheiro químico, professor

e palestrante.