Uma lógica invertida, por Edilson Lôbo

Uma lógica invertida, por Edilson Lôbo

Porto Velho, RO  - A maioria da população brasileira, que está ao mesmo tempo perplexa e paralisada com os desmandos e toda sorte de descaminhos que acontece na nossa República, deve se perguntar, porque diante de tantas evidências que chocam, causam descrédito e desalento, o Presidente Temer, continua incólume no seu posto, como se estivesse promovendo o melhor dos governos?

Só há uma explicação possível, e que se funda na lógica racional e econômica do mercado. O presidente assumiu compromisso quando por ocasião do golpe, em cumprir a agenda que está sendo imposta por uma elite ambiciosa e egoísta, assentada no pico da pirâmide social brasileira.

Enquanto a imensa maioria reprova o seu desgoverno, uma minoria de privilegiados, bate palmas para o seu “grande governista”. Óbvio. Temer está arriscando seu pescoço, apostando que para ferrar com a imensa maioria, os protegidos do andar de cima, asseguram seu mandato. Nem que seja, só até o fim das reformas.

Para colocar em andamento esse jogo, ele se utiliza de duas ferramentas bem ao gosto dos vendilhões do templo. Alicia o Congresso com o famigerado expediente do toma-lá-da-cá, enquanto articula com o grande capital, tendo como interlocutor, o artífice da engenharia do mercado, Henrique Meireles, no sentido de atender as demandas dos grandes empresários.

Para tanto, rega com os recursos oriundos dos cofres da viúva, uma legião de congressistas manipuláveis, ao sabor de algumas generosas cifras. Os números divulgados pela imprensa nas últimas semanas, para apascentar os ânimos dos mais exaltados que ameaçaram pular do barco, são astronômicos. Só alguns módicos bilhões, sob os mais variados expedientes e formas de arranjos. Para um governo que constrói uma narrativa, pautando-se na austeridade dos gastos públicos, essas artimanhas travestidas de uma falsa legitimidade, configura-se num verdadeiro acinte à miséria da nossa gente.

Se alguma coisa não funcionar da forma como fora bem articulado, não há maiores problemas, a Suprema Corte corrige lá por cima, as distorções de percurso. E se for necessário, nada como a generosa aquiescência palaciana, nas demandas que engrossem os já formidáveis atos remuneratórios dos seus magistrados, numa justa recompensa pelos seus esforços.

Flexibilização trabalhista; terceirização; reforma da Previdência; anistia fiscal que importam em bilhões de reais dos grandes devedores com o fisco; demarcação das terras indígenas; liberação de reservas naturais; desoneração fiscal; incentivos de toda ordem; desmonte do sistema bancário público, para melhor alavancar o sistema bancário privado, que aplica as maiores taxas de mercado, inviabilizando maiores investimentos daquele sistema, em setores sociais fundamentais para a população mais pobre. Aqui estão, algumas ações que coloca em movimento e anima, a grande ciranda que abarca as mais importantes frações do grande capital, que atuam no mercado brasileiro.

Ao fim, uma casta que é a síntese da plutocracia brasileira, feliz e sorridente, enquanto todo o resto que compõem os demais segmentos da nossa sociedade, a esperar por algumas migalhas que sobram do butim desses abastados.

Uma trágica lógica invertida. É preciso assaltar os direitos dos mais necessitados, subtraindo-lhes o pouco que ainda lhes restam, para satisfazer a voracidade dos que detém a ordem do capital.

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